Formas abstratas

Lou Borghetti e família
Entre um tema e outro (ou uma exposição e outra), é comum o artista sentir um certo vazio. Fica-se pouco produtivo, porém, fica-se também atento a tudo - menos ação mais atenção. Considero uma espécie de incubação, um processo de preparação e amadurecimento para a chegada de um novo assunto. Acredito que isso faça parte do processo criativo não só dos artistas, mas de todos profissionais que dependam da sua criatividade para produzir. Para nós artistas, o sketchbook torna-se nessa hora um companheiro inseparável e fiel.
Por outro lado, lançar mão do seu próprio repertório como fonte transformadora é muito instigante.  Nestes períodos ando entre o abstrato e o figurativo, entre o novo e o velho, entre o papel e a tela mas... sempre à tinta, sempre à cor.





Fotografias de Lou Borghetti: Bernardino Caballero

Bernardino Caballero, Foto: Lou Borghetti

Porto Alegre - 15/05/2013

O navio que durante anos foi minha fonte inesgotável de maravilhosas FOTOS, vai partir. E o triste é que vai para o desmanche. Não concordo com nada do que li hoje no jornal Zero Hora, aqui de Porto Alegre. Quem disse que um navio aportado mesmo que velho desmerece o nosso cais? Se é assim, e segundo a foto da contra capa ZH, os armazéns também deveriam ser destruídos? Mas o Cais será todo restaurado - praticamente refeito - a custo de milhões, então, porque não revitalizar a velha embarcação e transformá-la, por exemplo, num museu com as próprias peças ou mesmo uma biblioteca com lanchonete etc etc. A exemplo do que fazem os países desenvolvidos, seria um lugar para visitas guiadas, mais uma opção de cultura e lazer. Um museu que contaria a própria história. Fico imaginando as filas de crianças e pais de todos os segmentos sociais nos fins de semana, esperando ansiosos para entrar e ver, o que a maioria veria pela primeira vez, um navio por dentro. UMA LÁSTIMA. No meu ponto de vista, Porto Alegre não viu o que de fato tínhamos de potencial ali.

Cais do Porto - Porto Alegre/RS, Foto: Lou Borghetti








Lançamento do Livro: Ensaios sobre a embriaguez


Capa do Livro: Composição idealizada por Lou Borghetti

A Editora Record e Livraria Cultura convidam para o lançamento do livro Ensaios sobre a embriaguez, de Vicente de Britto Pereira. O evento acontecerá no dia 21 de maio, terça-feira às 19h na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country em Porto Alegre. 


Convite: Clique para aumentar

 
Sobre o livro/autor: Clique para aumentar
Contracapa

Os Quatro Elementos: A Memória da Terra

A Terra, 110 X 150 cm,  2003 - Acervo do MARGS
Ainda trabalhando os sete povos das missões (baseada na estatuária, em geral, religiosa - feita pelos índios no período das missões, sob orientação dos Jesuítas), comecei a me interessar e olhar mais atentamente para o nosso índio, o índio de hoje. Não apenas o aqui do sul mas também o índio do norte. Os índios do norte do Brasil me parecem ter um trabalho mais sofisticado. A utilização do barro, seus rituais, os adereços de pena, tudo em sintonia, formando uma linguagem própria, premissa básica para caracterização de sua própria identidade cultural. 
Misturando o barroco da época com o índio contemporâneo, fui em busca exatamente desse mesmo raciocínio e fui adicionando técnicas de colagem, pigmentos, folha de ouro e outros elementos à pintura.
Desta fase surgiu a exposição ELEMENTOS, no ano 2000. Além das pinturas, fiz uma instalação que denominei "O que não se encaixa", utilizado caixas acrílicas de CDs descartadas com  terra, ninhos, penas, etc... Elementos que remetessem ao índio e sua terra.

Foto da Exposição - APLUB, 2000
Matéria no Jornal Pioneiro de Caxias do Sul. Maio de 2003
Convite da Exposição Elementos






Atelier Lou Borghetti

Cartografia Missioneira

Lou Borghetti nas Missões

Os grandes mestres europeus são indispensáveis para a formação de qualquer artista mas, após a exposição das releituras (abordadas no post anterior), começou a amadurecer em mim uma nova fase. 

Sentia a necessidade de buscar uma maior identificação com minhas raízes. Precisei ir tão longe para chegar no que estava ao meu lado: A arte no Rio Grande do Sul, o seu nascedouro, o nosso barroco, os sete povos das Missões e seu legado.


Sei bem que o tema para um pintor não é tão relevante mas, neste caso e naquele momento, fui absorvida quase que completamente por esse que foi tão apaixonante.


Com a utilização da técnica mista de colagem e pigmento por vezes as imagens eram tão fortes que dispensava o uso da tinta. Não consegui deixar de fazer um trabalho conjunto de investigação, queria descobrir do meu modo, isto é, apenas com minha intuição e leitura, onde estava o legado do povo Tupi-Guarani sem as marcas tão evidentes da tradição européia trazida pelos Jesuítas 



Viajei primeiramente para Santo Ângelo mas também estive na redução Argentina e Paraguaia.  Em São Miguel das Missões (O sítio arqueológico mais bem conservado) estive várias vezes. 







No  museu idealizado  pelo grande arquiteto Lucio Costa, chamou-me a atenção uma escultura de sabor nativo: um  misto de anjo de falsas asas e criança com cara de adulto com o dedo indicador em riste, sinal de alerta, irônico e inocente.
Este ícone bem poderia traduzir minha ideia de paz, memória e identidade. E assim trabalhei durante anos com paixão o tema que denominei Cartografia Missioneira em 1997.






Matéria na Revista Caras





Rembrando - Uma fase de releituras




Em dado momento o pintor sente que aquele tema que está desenvolvendo começa a se esvaziar...


Por mais de 15 anos pintei o tema florações. Quando percebi que estava me repetindo, parei... Fiquei um tempo recolhida.


 

Me lembrei das minhas aulas com Iberê onde costumávamos desenhar a partir de Goya. Acabei me encantando com esse assunto. Estava numa verdadeira "entressafra artística", esgotando meu tema atual e buscando outro. Desenvolver trabalhos a partir dos mestres geniais da pintura era algo que me desafiava  e por isso a ideia me agradava. Desenhos, rabiscos, colagens, telas... 



 "Repetir os grandes mestres faz com que fiquemos mais próximos deles em espírito e técnica..."





No fim, esse meu novo exercício acabou resultando numa exposição.


Chamo de exercício pois sentia que não chegava a ser um novo período da minha vida artística. Era um exercício de olhar, de técnica que me deu muito prazer, e não poderia deixar de faltar na minha linha do tempo, tamanha sua importância no meu desenvolvimento profissional. As releituras foram então um grande degrau para o novo tema que estava ganhando forma e abordarei no próximo post: Cartografia Missioneira.


"Elizethe Borghetti irreverente bem
espelha na arte seu peculiar
temperamento.
A arte sempre foi passarela de 
influência. Herança de pele.
Retomadas por idolatria histórica,
circunstancial, dos grandes mestres.
Sem pecado."

                    Danúbio Gonçalves, 1994




"Incessante é o trabalho de Elizethe Borghetti.
A dimensão humana tem o espectro de nossas contradições.
Como pode alguém ser tão inquieta e 
criar tanta harmonia?
Portais, flores, releitura de clássicos, ...
assim vem Elizethe espargindo sua
obra pelas alamedas do mundo. Mão
pródiga em milgares de alquimia e policromias.
O campo não sonha, floresce."

                            Luiz Coronel, 1993






Ver Também... Para aqueles que admiram o tema releituras, recomendo a leitura de posts que já escrevi aqui no Blog sobre o assunto. Links abaixo. 




             Abraços,

              Lou Borghetti